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"Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse." Friedrich Nietzsche *

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006


Desejos para libertar-se das situações difíceis e perigosas do bardo, o herói livrando-se do medo

Eu e todos os seres através do espaço, sem exceção,
Buscamos refúgio até a suprema iluminação
Nos Buddhas do passado, do presente e do futuro, no Dharma e na Sangha.
Possamos ser libertados dos temores desta vida, do bardo e da vida seguinte.

Possamos extrair a essência significativa da sustentação desta vida,
Sem sermos distraídos pelas questões insensatas da vida,
Pois esta boa base, difícil e fácil de se desintegrar,
Apresenta a oportunidade de escolha entre o lucro e a perda, o conforto e a miséria.

Possamos compreender que não há tempo a perder,
Pois a morte é definida mas a hora da morte é indefinida.
O que se reuniu se separará e o que acumulou será consumido sem resíduos.
No fim da subida vem a descida, o fim do nascimento é a morte.

Possamos ser aliviados do intenso sofrimento decorrente das várias causas da morte
Quando estivermos neste lugar de concepções errôneas de sujeito e objeto,
Quando o corpo ilusório ¿formado pelos quatro elementos impuros ¿
E a consciência estiverem para se separar.

Possamos ser aliviados das aparências equivocadas da não-virtude
Quando, enganados no momento de necessidade por este corpo que tratamos com tanto carinho,
Os temíveis inimigos ¿ os senhores da morte ¿ se manifestarem
E nos aniquilarem com as armas dos três venenos ¿ cobiça, ódio e ignorância.

Possamos recordar as instruções da prática
Quando os médicos desistirem e os ritos de nada adiantarem,
Os amigos tiverem perdido a esperança na nossa recuperação
E nada mais nos restar a fazer.

Que tenhamos a confiança da alegria e do prazer
Quando a comida e a riqueza acumuladas com ganância forem deixadas para trás
E nos separarmos para sempre de amigos queridos e muito desejados,
Encaminhando-nos sozinhos para uma situação perigosa.

Possamos gerar uma poderosa mente de virtude
Quando os elementos ¿ terra, água, fogo e vento ¿ dissolverem-se em estágios
E a força física for perdida, a boca e o nariz ficarem secos e enrugados,
O calor se recolher, a respiração ficar arquejante e sons chocalhantes emergirem.

Possamos compreender o modo de existir imortal
Quando surgem várias aparições equivocadas temíveis e horríveis,
E em particular a miragem, a fumaça e os pirilampos,
E quando cessar o suporte das oitenta concepções indicativas.

Possamos gerar uma poderosa atenção e introspecção
Quando o componente vento começar a se dissolver na consciência,
E quando cessar a seqüência externa da respiração, quando as aparições dualísticas grosseiras se dissolverem,
E quando surgir uma aparição como uma lamparina de manteiga acesa.

Possamos conhecer a nossa própria natureza
Através do yoga, percebendo o samsara e o nirvana como vazios,
Quando a aparição, o aumento e a quase-realização se dissolverem ¿ os primeiros na última ¿
E experiências como o luar, a luz do sol e a escuridão penetrantes despontarem.

Que as claras luzes mãe e filha se encontrem
Quando a quase-realização se dissolver no vazio total,
Que cessem todas as multiplicações conceituais e que surja uma experiência
Semelhante a um céu de outono livre de condições poluentes.

Possamos nos fixar na meditação profunda e unidirecional,
Na sabedoria exaltada da bem-aventurança e do vazio combinados,
Durante as quatro vacuidades causadas pelo derretimento do componente branco semelhante à lua
Pelo fogo da poderosa fêmea semelhante ao trovão.

Possamos completar, ao invés do bardo,
A meditação concentrada de ilusão para que, ao deixarmos a clara luz,
Ascendamos em um sambhogakaya que reluz com a glória das marcas e belezas de um Buddha,
Surgidas do vento puro e da mente da clara luz da morte.

Se, devido ao karma, um bardo se estabelecer,
Possam as parições errôneas ser purificadas
Através da imediata análise e compreensão da ausência da existência inerente
Dos sofrimentos do nascimento, da morte e do bardo.

Possamos renascer em uma terra pura
Transformando por meio dos yogas externo, interno e secreto
Quando vários sinais ¿ quatro sons da inversão dos elementos,
Três assustadoras aparições ¿ e incertezas aparecem.

Possamos renascer com o supremo amparo vital de um praticante do tantra que usa o céu,
Com o corpo de um praticante monástico ou de um leigo que possui as três práticas.
E possamos completar a realização dos caminhos dos dois estágios de geração e conclusão,
Alcançando rapidamente, desse modo, os corpos de um Buddha ¿ dharmakaya, sambhogakaya e nirmanakaya.

(Primeiro Panchen Lama, Losang Chokyi Gyeltsen)




Sábado, Outubro 07, 2006




Use sua consciência 

 



Um "não" a tudo isso
carta ao eleitor revista veja


Fila de votação: a maioria
dos eleitores não quer um governo que cause vergonha


Pesquisas eleitorais, gostam de dizer os diretores de
institutos, são como fotografias de um momento. Antes do primeiro turno da
eleição presidencial, as "imagens" obtidas por esses levantamentos indicavam
que, apesar da gradativa perda de cacife de Lula, os candidatos da oposição,
juntos, não ultrapassariam o total de votos do atual presidente. Pois sucedeu o
contrário. Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque arrebanharam
51,1% dos sufrágios, contra 48,6% de Lula. Além disso, Alckmin conseguiu milhões
de votos a mais do que prognosticavam as pesquisas, atingindo a segunda maior
votação jamais recebida por um político brasileiro, em números absolutos, num
primeiro turno de eleição presidencial. Dessa discrepância entre os
levantamentos e a realidade, há duas lições a tirar, e nenhuma delas significa
uma condenação das pesquisas. A primeira lição é que, realmente, elas são como
fotografias de um momento. A segunda é que esse momento pode sofrer uma
reviravolta tal que o instante seguinte já é o seu oposto. Foi o que ocorreu às
vésperas do último dia 1º.


A verdade é que a quantidade de eleitores
que mudaram de idéia sobre em quem votar, horas antes do pleito, foi suficiente
para levá-lo a uma segunda rodada. Isso demonstra a capacidade dos brasileiros
de não se deixar instrumentalizar e de se indignar. A maioria deles, como
comprovou o resultado das urnas, não quer um país onde as autoridades
responsáveis pela manutenção das leis e pelo respeito à ética são as primeiras a
quebrá-las. Também não quer um governo que cause vergonha e subverta a regra
rudimentar, segundo a qual o crime não pode e não deve compensar. É bom para o
Brasil que os eleitores tenham mantido a capacidade de julgamento. Alguém disse
que a política não é uma ciência exata, e sim uma arte. Faltou dizer que o
grande artista, no caso, é quem tem o direito de destituir os maus e colocar os
bons no poder, para tentar melhorar o quadro geral. Você, eleitor.

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