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"Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse." Friedrich Nietzsche *

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Terça-feira, Agosto 31, 2004


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Domingo, Agosto 29, 2004






O presidente da CPI do Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), acusou ontem ¿¿setores do governo¿¿ de manipularem o trabalho da comissão com o objetivo de transformá-la num ¿¿instrumento partidário para bisbilhotar pessoas e empresas¿¿. Em discurso da tribuna, Barros afirmou que a intenção do governo explica o procedimento do relator, deputado José Mentor (PT-SP), de requerer, por exemplo, a quebra do sigilo de todas as operações de câmbio do Banco Central, de 1996 a 2002, e dos inquéritos policiais federais criminais, trabalhistas e civis abertos no mesmo período em 16 estados.

¿¿As viúvas de Stalin entendem ser possível controlar o mundo a partir do PT¿¿, ironizou o presidente da CPI referindo-se ao líder soviético Josef Stalin. ¿¿São estes setores que pretendem controlar a mídia, restabelecer a censura, praticar o dirigismo intelectual
e, claro, controlar a vida privada das pessoas¿¿, acusou.

Barros contou que a comissão conseguiu evitar que o relator petista quebrasse o sigilo fiscal da Rede Brasil-Sul (RBS) de Comunicações e dos proprietários da empresa e que requisitasse um processo que envolvia a companhia. ¿¿A CPI foi avisada de que a ação estava arquivada, voltou atrás e cancelou a quebra dos sigilos¿¿, informou. Segundo Barros, nos debates sobre esse requerimento teria surgido o verdadeiro motivo da devassa no grupo. ¿¿É que a RBS havia feito uma reportagem sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e isso desagradou ao PT, que resolveu dar o troco utilizando a CPI do Banestado¿¿, afirmou.



Sábado, Agosto 28, 2004




Obstáculos ambientais: ontem, hidrovias; hoje, BR-163. Amanhã, ferrovias?
Rio, 13/ago/04 ¿ Quem acompanha superficialmente pelas manchetes de jornais a novela da rodovia Cuiabá-Santarém, a BR-163, pensaria tratar-se de um projeto pioneiro que rasgaria a floresta Amazônica de alto a baixo. Com tantas idas e vindas, badaladas e inconclusivas reuniões do alto escalão de 15 Ministérios, cumprimentos de densas agendas de audiências públicas exigidas pela restritiva legislação ambiental do País e estranhos destaques de primeira páginas nos principais jornais do mundo, esta pessoa teria muitas dificuldades para entender que se trata apenas do asfaltamento restante de uma rodovia que já está aberta e operando há pelo menos um quarto de século.
ONGs de todos os matizes e pomposos nomes em inglês (e que estão sendo astutamente ¿aportuguesados¿) fazem agora um enorme alarde sobre a grave questão fundiária existente na chamada ¿área de influência¿ da rodovia, como se o problema já não fosse de amplo conhecimento deste e de outros governos passados. Para estas ONGs e seus poderosos aliados internos e externos, a pavimentação restante da BR-163 só pode ser feita se a ¿questão fundiária¿ for solucionada a contento, ou condicionada a tantas exigências de toda ordem que inviabilizaria, na prática, todo o projeto.

Quem acompanha o assunta sabe que grande parte destes problemas fundiários ¿ e as famosas queimadas na região -, vem dos programas de assentamento do INCRA. Diferentemente do tempo em que este órgão público promovia de fato a colonização que traz em seu nome, como atestam as diversas cidades na região que apresentam invejáveis índices da qualidade de vida das suas populações, atualmente, muitos dos que já foram assentados ou que estão na fila de espera são desempregados ou desocupados sem a menor vocação para a agricultura que são cooptados nas periferias das grandes cidades por movimentos ditos sociais para engrossar seu contingente de ¿sem-terras¿ e, assim, aumentar seu poder de pressão sobre o governo.

A mais recente campanha alarmista contra a BR-163 vem da revista The Economist, tradicional porta-voz da elite dirigente da pérfida Albion, em matéria onde classifica como ¿milagre¿ a conciliação entre o desenvolvimento econômico da região e a decantada proteção à ¿indispensável Amazônia¿. Os mais atentos com o sardônico humor britânico entendem que, realmente, com tantas exigências, será mesmo um milagre que o empreendimento seja sequer iniciado.

Porém, sob um olhar estratégico mais abrangente, o que se verifica é uma manobra de conotação geopolítica para obstaculizar o desenvolvimento socioeconômico da região, sua ocupação territorial e, conseqüentemente, a integração da Amazônia ao restante do País. Observe-se que grandes empreendimentos com tais características, como a implantação das hidrovias Araguaia-Tocantins e Tapajós-Teles Pires, foram praticamente desativados devido às pressões, internacionais e domésticas, em nome dos ¿danos¿ que causariam ao meio ambiente e/ou às culturas indígenas de suas respectivas áreas de influência.

Resumindo, ontem foram as hidrovias, hoje é a BR-163 e amanhã serão as ferrovias planejadas para a região, se não houver uma reação condizente da elite dirigente do País.
[040813a]






Rede educacional controlada pelo MST é bomba de tempo
Rio, 20/ago/04 - Patrocinada pela UNESCO, pela UNICEF e por outras entidades nacionais e internacionais, foi realizada em Luziânia (Brasil), no início de agosto, a II Conferência sobre Educação no Campo. Perante cerca de mil participantes, o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) brasileiro, João Pedro Stedile, recordando um discurso de Fidel Castro, afirmou que a ¿libertação do povo não se faz com fuzis, mas com lápis e caderno¿.
É claro que, durante seus vários anos de militância, supostamente para forçar a reforma agrária, o MST se consolidou como uma força paralela de poder. No evento, se informou que desde 1987, quando o MST criou um setor específico para tratar de educação e até agora, conseguiu controlar 1800 escolas primárias e secundárias, nas quais estudam atualmente mais de 160.000 alunos, localizadas nos assentamentos agrícolas e nos acampamentos de terras invadidas. Além disso, também têm jardins de infância, escolas técnicas, e conseguiram firmar convênios com universidades, para cursos superiores. No total, o MST tem a seu serviço mais de 4.000 professores, todos literalmente treinados na ideologia do movimento que se resume na máxima do movimento: ¿pedagogia da terra¿.

O inspirador do programa educacional do MST é o famoso pedagogo Paulo Freire, que trabalhou na África como enviado do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), se consagrando com a promoção do pragmatismo bucólicco e com a ideologia do tribalismo contra as idéias centrais de progresso em todos os campos. O CMI, vinculado à Igreja Anglicana e à oligarquia britânica, e também Freire tiveram papel crucial na formação dos dirigentes que encabeçaram grande parte dos movimentos de libertação dos países africanos; não obstante, por sua formação distorcida, foram também responsáveis por desencadear as guerras tribais que ainda ensangüentam aquele sofrido continente.

A pobreza dos conceitos pedagógicos de Freire se evidencia naqueles básicos que orientam o MST, como a idéia de ¿educação para o trabalho e pelo trabalho¿, muito semelhante à chamada reforma curricular posta em prática a partir dos anos 70 pelos círculos do poder mundial, e que acabou com o que restava de conteúdo clássico na educação.

Outra herança de Freire é a idéia do ¿vínculo orgânico entre processos educativos e processos políticos¿, que não é senão a idéia de usar a educação para criar uma massa de militantes, nesse caso uma estrutura de crenças baseada no apego à terra física ¿ não à Pátria ¿ e na ¿luta de classes¿.

A influência conquistada pelo MST se evidencia entre outras coisas na decisão que tomou o Estado do Rio Grande do Sul em 1996, ao aprovar um Conselho Estadual de Educação de Escola Itinerante ¿ i.é, aonde forem os acampamentos em terras invadidas pelo MST, irão as escolas. Por outro lado, os participantes que conseguem ter um pedaço de terra graças às ações do movimento, ou mediante invasões de terras ou por outros meios, nunca dele se desvinculam, criando-lhes e fomentando uma identidade de ser um ¿sem-terra¿.

Por fim, mediante o controle dos assentamentos de agricultores pobres, e através de sua rede educacional, o MST consolidou um enorme grupo social que se considera segregado do restante do país, com normas próprias e crenças exclusivas.

É evidente que o debilitamento da intervenção do Estado em um dos pilares que o sustentam, a educação universal, abriu caminho para que o vácuo fosse preenchido, em número e conteúdo, pelo MST e as ¿multidões¿ que comanda. A capacidade que o MST demonstrou para suplantar uma função estatal, criando um sistema próprio de educação, ao se valer das instituições educativas vigentes, como a Secretaria de Educação e outras, é uma ameaça a médio e longo prazos contra a própria existência do Estado brasileiro.
[040820d]








Oriente-se para evitar supresa na compra do primeiro micro



Pentium ou Athlon XP, placa-mãe P4V 8X-X, memória 256 Mb RAM, HD 40 Gb, monitor 15 polegadas, placa de vídeo 64 Mb, tecnologia HT, Serial ATA e Firewire, onboard ou offboard. Ufa! Para quem já é entendido no assunto e é capaz de montar um micro sozinho, a tarefa de decifrar um anúncio de computador nas páginas de jornais e revistas pode ser tarefa das mais simples. Para os marinheiros de primeira viagem, no entanto, pode ser uma confusão só. Mas a sopa de letrinhas não é nenhum enigma impossível de decifrar. Assim, com a ajuda do mestre Laércio Vasconcelos, engenheiro eletrônico, professor e autor de diversos livros sobre hardware, que tal explorar um pouco esse universo de informatiquês e comprar, com segurança, o tão sonhado micro?
Qual é a melhor placa-mãe do mercado? Primeiro, pense na qualidade dos equipamentos. Dê preferência a marcas reconhecidas no mercado. Não sabe quais são? O mestre ajuda. Vamos começar pela placa-mãe. "É preciso tomar cuidado com a marca da placa-mãe ou placa de CPU. Algumas marcas têm péssima reputação no mercado" diz Laércio, que fez uma pesquisa entre os leitores do seu site www.laercio.com.br, a respeito da satisfação com as placas adquiridas.
O resultado é uma boa amostra do que existe de melhor no mercado hoje. A marca de placa-mãe que obteve a maior pontuação na pesquisa foi a MSI (recebeu nota 8,92), seguida por ASUS (8,82), Soltek (8,57), Abit (8,43), Gigabyte (8,39) e Intel (8,24). Além dessas, nos classificados você vai poder encontrar nomes como Soyo (recebeu nota 7,86), FIC (7,36), ECS (6,59), AsRock (5,75) e PC Chips (4,65).
Dúvida cruel: processador Intel ou AMD? Sanada a primeira grande dúvida, é bom tomar a grande decisão: comprar processador Intel ou AMD? "Processadores AMD (Athlon XP e Duron) são mais baratos e apresentam bom desempenho, são uma boa escolha para quem quer economizar bastante, principalmente na faixa até 2400 MHz. Para esta faixa de baixo custo, também pode ser usado o Intel Celeron", diz Laércio.
Para quem precisa executar programas pesados (como editoração de vídeo) e tem necessidade de velocidade, o Pentium 4 HT é uma escolha mais sensata que o Athlon XP, e mesmo o Athlon 64. "A tecnologia HT (Hyper-threading) faz com que o processador seja "visto" pelos programas como se fossem dois processadores. O ganho de desempenho fica entre 10% e 40%, dependendo da aplicação.
Decidiu-se pelo Pentium 4? Para esta escolha, Vasconcelos recomenda placa-mãe que ofereça suporte à tecnologia HT e às memórias DDR400 em duplo canal (dual channel) - o duplo canal consiste em usar dois módulos de memória iguais que operam de forma simultâneas - e FSB de 800 MHz. Traduzindo: O FSB (Front Side Bus) representa a velocidade na qual o processador fará acessos à memória e outras partes do computador. Os modelos mais avançados do Pentium 4 têm FSB de 800 MHz, e, para Laércio, é a melhor escolha.
Quem optou por processadores Athlon XP ou Duron deve comprar placa-mãe com FSB de 400 MHz (o máximo usado por esses processadores) e suporte a memória DDR400. Quem está disposto a pagar um pouco mais, pode escolher uma placa que tenha memórias em "Twin Bank", espécie de duplo canal da linha AMD.



A velha questão do onboard



Em qualquer anúncio de computador a palavra onboard insiste em aparecer. O que significa isso? Pois é. Muitas placas de CPU possuem vídeo onboard, ou seja, integrado na própria placa, o que dispensa o uso de uma placa de vídeo.
"O desempenho do vídeo onboard varia entre baixo e médio, em comparação com as placas de vídeo mais avançadas. Placas de CPU equipadas com chipsets VIA ou SiS têm vídeo onboard de desempenho baixo, mas suficiente para quem não vai usar jogos nem programas 3D - diz o engenheiro eletrônico Laércio Vasconcelos. "Dá para usar bem o Windows e o Linux e tarefas simples como processador de textos, planilhas, acesso à internet, edição de fotos e até para assistir DVD no computador."
Assim, mesmo vídeos onboard - como os presentes nos chipsets Intel e Nvidia - chegam a apresentar bom desempenho, suficiente até para os exigentes jogos 3D. Quer saber qual é o chipset usado pela placa de CPU que você deseja comprar? Simples: ele vem indicado na caixa do produto.
Laércio faz uma ressalva: mesmo que você decida usar vídeo onboard, pode querer, depois, melhorar o desempenho 3D e instalar uma boa placa de vídeo. O que fazer? "É preciso então que a sua placa de CPU possua um slot AGP 8x, que serve para esta instalação. Algumas placas de CPU muito baratas não possuem slot AGP, o que impede ou dificulta a expansão do vídeo. Outras têm slot AGP de velocidade menor (4x), aceitável mas não o ideal."
Quanto ao HD, não se prenda muito ao quesito "marca", já que, segundo Laércio, as marcas disponíveis no mercado são boas. Fique atento na capacidade: o preço de um HD de 20 Gb (cerca de R$ 200,00) não é tão diferente do que custa um disco rígido de 40 Gb (R$ 300,00) e um de 80 Gb (R$ 400,00).
Já nos gabinetes, dê preferência aos modelos maiores, com um número maior de "baias". Gabinetes pequenos têm problemas de superaquecimento. Se puder, compre um de quatro baias, com 45 cm de altura e melhor refrigeração. Além disso, ideal é que o gabinete tenha um ventilador adicional, instalado na parte traseira, que faz com que o ar quente seja direcionado para fora. O anúncio também trará a oferta de monitores. Dê preferência aos de 15 polegadas. Quanto maior o monitor, mais conforto aos olhos. A tela de 15 polegadas também distorce menos a imagem.


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Quinta-feira, Agosto 19, 2004


Obstáculos ambientais: ontem, hidrovias; hoje, BR-163. Amanhã, ferrovias?
Rio, 13/ago/04 ¿ Quem acompanha superficialmente pelas manchetes de jornais a novela da rodovia Cuiabá-Santarém, a BR-163, pensaria tratar-se de um projeto pioneiro que rasgaria a floresta Amazônica de alto a baixo. Com tantas idas e vindas, badaladas e inconclusivas reuniões do alto escalão de 15 Ministérios, cumprimentos de densas agendas de audiências públicas exigidas pela restritiva legislação ambiental do País e estranhos destaques de primeira páginas nos principais jornais do mundo, esta pessoa teria muitas dificuldades para entender que se trata apenas do asfaltamento restante de uma rodovia que já está aberta e operando há pelo menos um quarto de século.
ONGs de todos os matizes e pomposos nomes em inglês (e que estão sendo astutamente ¿aportuguesados¿) fazem agora um enorme alarde sobre a grave questão fundiária existente na chamada ¿área de influência¿ da rodovia, como se o problema já não fosse de amplo conhecimento deste e de outros governos passados. Para estas ONGs e seus poderosos aliados internos e externos, a pavimentação restante da BR-163 só pode ser feita se a ¿questão fundiária¿ for solucionada a contento, ou condicionada a tantas exigências de toda ordem que inviabilizaria, na prática, todo o projeto.

Quem acompanha o assunta sabe que grande parte destes problemas fundiários ¿ e as famosas queimadas na região -, vem dos programas de assentamento do INCRA. Diferentemente do tempo em que este órgão público promovia de fato a colonização que traz em seu nome, como atestam as diversas cidades na região que apresentam invejáveis índices da qualidade de vida das suas populações, atualmente, muitos dos que já foram assentados ou que estão na fila de espera são desempregados ou desocupados sem a menor vocação para a agricultura que são cooptados nas periferias das grandes cidades por movimentos ditos sociais para engrossar seu contingente de ¿sem-terras¿ e, assim, aumentar seu poder de pressão sobre o governo.

A mais recente campanha alarmista contra a BR-163 vem da revista The Economist, tradicional porta-voz da elite dirigente da pérfida Albion, em matéria onde classifica como ¿milagre¿ a conciliação entre o desenvolvimento econômico da região e a decantada proteção à ¿indispensável Amazônia¿. Os mais atentos com o sardônico humor britânico entendem que, realmente, com tantas exigências, será mesmo um milagre que o empreendimento seja sequer iniciado.

Porém, sob um olhar estratégico mais abrangente, o que se verifica é uma manobra de conotação geopolítica para obstaculizar o desenvolvimento socioeconômico da região, sua ocupação territorial e, conseqüentemente, a integração da Amazônia ao restante do País. Observe-se que grandes empreendimentos com tais características, como a implantação das hidrovias Araguaia-Tocantins e Tapajós-Teles Pires, foram praticamente desativados devido às pressões, internacionais e domésticas, em nome dos ¿danos¿ que causariam ao meio ambiente e/ou às culturas indígenas de suas respectivas áreas de influência.

Resumindo, ontem foram as hidrovias, hoje é a BR-163 e amanhã serão as ferrovias planejadas para a região, se não houver uma reação condizente da elite dirigente do País.
[040813a]



Segunda-feira, Agosto 09, 2004


BRIAN GREENE
Dados pessoais
Americano, 41 anos, solteiro

Trabalho
Professor de Física da Universidade de Colúmbia
Livros
O Universo Elegante (Cia. das Letras, 1999), O Tecido do Cosmos (lançamento no Brasil em 2005)
Hobby
Criou um abrigo para animais abandonados em sua fazenda no norte do estado de Nova York


O novo Carl Sagan

Brian Greene, o mais célebre cosmologista da atualidade, defende a teoria das supercordas, que resume o Universo em uma única equação

ÂNGELA PIMENTA, de Nova York



Há 20 anos um punhado de físicos se dedica a elaborar uma teoria que explique, numa única equação, o funcionamento das galáxias, a natureza e o comportamento das mais ínfimas partículas do Universo. Tal achado materializaria o mais caro sonho de Albert Einstein: a unificação da teoria geral da relatividade, que trata de grandes dimensões espaciais, com a mecânica quântica, que tenta compreender o que se passa no coração das subpartículas atômicas.
Até recentemente, o debate sobre tal hipótese - a teoria das supercordas - restringia-se a herméticos congressos astronômicos e publicações acadêmicas. Mas eis que, nos últimos cinco anos, Brian Greene, um físico americano com jeito de garotão, notável currículo acadêmico e talento para traduzir conceitos sofisticados em metáforas cotidianas, tem conseguido eletrizar o grande público.
Em 1999, ele publicou seu primeiro best-seller, O Universo Elegante. Traduzido para 26 línguas, o livro que disseca a teoria das supercordas foi transformado no ano passado em documetário pelo canal educativo americano PBS. Recentemente, Greene lançou O Tecido do Cosmos, que trata de noções de espaço e tempo e deverá ser lançado no Brasil em 2005. Graças a seu sucesso popular, o físico vem sendo comparado ao cosmologista britânico Stephen Hawking, autor de Uma Breve História do Tempo, e ao americano Carl Sagan (1934-1996), consagrado nos anos 80 pela série de TV Cosmos.
Doutor em Física pela Universidade de Oxford, Greene leciona em Colúmbia, Nova York, onde também dirige um instituto dedicado a estudos cosmológicos. Em seu escritório, cercado de equações num quadro negro, ele falou a ÉPOCA.


ÉPOCA - Como o senhor resumiria a teoria das supercordas?
Brian Greene - Ela materializa o sonho de Albert Einstein de criar uma teoria única para explicar o Universo. No século XX, a Ciência desenvolveu duas teorias que funcionam como pilares da Física. A teoria geral da relatividade, criada por Einstein, explica como a gravidade opera em grandes dimensões, em estrelas e galáxias. Já a mecânica quântica explica como as leis da Física operam no extremo oposto, nas subpartículas atômicas. Durante várias décadas, essas duas teorias só funcionavam nos próprios campos, o pequeno e o grande. Quando cientistas tentavam juntá-las - o que é indispensável, por exemplo, para entender o que se passa no centro de um buraco negro -, as equações se estilhaçavam.
ÉPOCA - Como as supercordas entram na história?
Greene - Elas surgiram como uma nova e fundamental entidade, a base para tudo o que existe no Universo. Já faz algum tempo que conhecemos os átomos e também as partículas subatômicas, como os elétrons, que giram ao redor dos núcleos, e os prótons, que integram o núcleo dos átomos. Conhecemos também algumas partículas subnucleares, como os quarks, que habitam os nêutrons e prótons. Mas é aí que o conhecimento convencional empaca. A teoria das supercordas diz que existe algo menor e mais fundamental: dentro dos quarks, da mais ínfima partícula subatômica, existe um filamento de energia que vibra como as cordas de um violino. E são os diferentes padrões de vibração dessas cordas que determinam a natureza de diferentes tipos de subpartículas. Isso permitiria unificar a teoria geral da relatividade com a mecânica quântica.
ÉPOCA - Os últimos avanços na teoria das supercordas incluem um conceito altamente perturbador, a existência de 11 dimensões.
Greene - Para que essa teoria possa existir, ela requer que o Universo não tenha apenas as três dimensões com que estamos habituados. Os cientistas que adotam a teoria das supercordas trabalham com a possibilidade de que o Universo tenha entre dez e 11 das chamadas dimensões de espaço-tempo. É difícil de engolir, mas é o que a teoria prevê, de maneira consistente.
ÉPOCA - Ela também prevê universos paralelos a nossa realidade, idéia que o senhor aborda em seu novo livro, O Tecido do Cosmos.
Greene - Todo o mundo enxerga claramente da direita para a esquerda, para a frente e para trás e para cima e para baixo. Cadê as outras dimensões? Uma das sugestões da teoria é que nós não conseguimos enxergá-las justamente porque precisamos da luz para ver. E pode ser que a luz seja capturada, como numa espécie de armadilha, apenas pelas três dimensões com as quais estamos acostumados. Gosto de comparar o Universo que conhecemos e enxergamos a uma fatia de pão. Mas todo o Universo, com suas realidades paralelas, poderia incluir as demais fatias de um mesmo pacote de pão de fôrma. E talvez tudo o que conhecemos e conseguimos enxergar aconteça apenas nessa nossa fatia de realidade iluminada pela luz, que não consegue viajar para as demais fatias do pacote.


''A teoria das supercordas considera entre dez e 11 dimensões de espaço-tempo. Sei que é difícil de engolir. Cadê as outras dimensões? Não conseguimos enxergá-las porque precisamos da luz para ver''
ÉPOCA - Então clones de nós mesmos poderiam habitar esses universos paralelos?
Greene - Sim, mas não necessariamente. É possível também que as demais fatias desse pão nem contenham vida. Oprincipal é que aquilo que durante muito tempo julgamos ser o Universo pode ser apenas um pedaço dele.
ÉPOCA - Como o senhor se sente tendo dedicado 20 anos de sua vida a essa teoria das supercordas, que ainda não tem nenhuma comprovação?
Greene - É um desconforto danado! Depois de tanto tempo e esforço, quero saber a verdade. E todos nós, os cientistas especializados nesse campo, temos uma necessidade premente de poder comprová-la ou derrubá-la com experimentos físicos observáveis. Nossa esperança é que isso aconteça na próxima década.
ÉPOCA - A teoria poderia ser testada a partir de 2007, quando o maior acelerador de partículas do mundo, o Large Hadron Collider, ficará pronto, na Suíça. Que tipo de evidências poderia sair de lá?
Greene - Existe algo chamado supersimetria, um conceito que emerge das supercordas e sugere que, para cada subpartícula atômica conhecida, haja uma subpartícula complementar, simétrica. Essas partículas ainda desconhecidas deveriam ser mais pesadas que as conhecidas, o que faz com que elas necessitem de mais energia para ser criadas. É possível que o Large Hadron Collider seja um acelerador potente o bastante para provocar colisões subatômicas suficientemente fortes para gerar tais subpartículas. Esses experimentos seriam uma evidência indireta de que estamos no caminho certo. Outra possibilidade é que as colisões entre subpartículas altamente energizadas venham a produzir o que chamamos de grávitons, pequenas partículas da força da gravidade, que teoricamente são pequenas cordas na forma de um laço, sem extremidades. Se existirem, os grávitons poderiam escapar a nossas dimensões, pertencendo a outros universos - ou a outras fatias do pão.
ÉPOCA - E se a teoria for derrubada?
Greene - Em primeiro lugar, nada garante que o Hadron Collider será potente o bastante para provar ou derrubar a teoria. Há quem pense que eu me sinto feliz ou aliviado com isso, o que não é verdade. Você acha que eu quero me dedicar a uma teoria equivocada? Se ela estiver furada, quero ser o primeiro a saber! É claro que eu ficaria bastante decepcionado, porque é uma teoria maravilhosa. As idéias que ela sustenta são melhores do que qualquer coisa que temos visto em ficção científica. Mas, se ela estiver errada, vou ficar de luto por uns dois dias e então voltar a trabalhar normalmente.
ÉPOCA - Como o senhor explica o conceito de matéria escura para o público leigo?
Greene - Trata-se de um tipo de matéria que não emite luz ou não responde a ela, daí seu nome. Mas existem evidências de que há uma boa quantidade desse troço escuro espalhado pelo Universo. Ainda que não possamos ver a matéria escura através da luz, podemos observá-la pela influência gravitacional que exerce. Podemos observar objetos sensíveis à luz e que sofrem o efeito da matéria escura. Mas existem explicações alternativas para os padrões excêntricos desses objetos. Talvez o que aconteça é que nós não entendemos direito como a gravidade funciona. Mas pessoalmente eu não acredito que essas alternativas sejam convincentes. Acredito na existência da matéria escura porque ela provém de diversas fontes de evidências cosmológicas.

ÉPOCA - De que maneira descobertas científicas em Astrofísica e Cosmologia afetam a vida das pessoas?
Greene - O primeiro passo para encontrar nosso lugar no Universo é conhecê-lo, saber do que é feito e de que maneira funciona.
ÉPOCA - Stephen Hawking diz que essas descobertas permitiriam à humanidade compreender a 'mente de Deus'. Mas quanto tempo será preciso para que a Ciência consiga ver a 'face de Deus' ou negar sua existência?
Greene - A Ciência não tem como provar ou negar a existência de Deus. Mas tem contribuído para responder a algumas perguntas que se fazem a ele, questões sobre como o Universo se formou. A Ciência não tem nada a dizer, e jamais terá, sobre a existência ou não de um Deus por trás disso tudo. Eu me pergunto até mesmo se há alguma porta dos fundos entre o cenário e os bastidores do que chamamos Universo. Talvez o filme Matrix sirva como uma boa imagem para isso. Nele, os personagens têm o cérebro estimulado para viver uma existência comum. Como podemos saber se isso não está acontecendo conosco agora mesmo? Em minhas entranhas não acredito nisso. E elas também me dizem que Deus não existe, mas não tenho como provar. Eu me sinto feliz com um Universo sem Deus, regido apenas pelas leis da Física, porque ela é tão rica e nos possibilita compreender tanto! Acredito também no valor da vida. Nesse sentido talvez eu seja um existencialista.

ÉPOCA - O senhor concorda com a nova posição de Hawking sobre os buracos negros? Ele diz agora que a superfície de um buraco negro deixa escapar 'informação', ou seja, matéria e energia engolidas por ele.
Greene - Ainda não vi os cálculos de Hawking. Mas, durante vários anos, os especialistas em supercordas têm reunido argumentos próprios para acreditar que a informação não é perdida dentro dos buracos negros. Logo, acredito nos resultados de Hawking.


''Eu me sinto feliz com um Universo sem Deus, regido apenas pelas leis da Física, porque ela é tão rica e nos possibilita compreender tanto! Acredito também no valor da vida''
ÉPOCA - De que maneira a política interfere nas descobertas científicas de hoje, bancadas por governos de países ricos e suas universidades?
Greene - De forma limitada. Nos Estados Unidos, o governo federal determina o montante total a ser investido em Ciência, mas, a partir daí, o destino final do dinheiro é decidido por um sistema de especialistas e comissões que se atêm ao mérito científico dos projetos.
ÉPOCA - O que o senhor acha do projeto do presidente Bush de enviar uma missão tripulada a Marte?
Greene - A idéia das missões tripuladas é excitante para o grande público. E reconheço que é importante manter as pessoas excitadas em relação à Ciência. Mas, do ponto de vista estritamente científico, é difícil entender as justificativas para isso. Com um orçamento muito menor seria possível, por exemplo, financiar mais sondas espaciais não-tripuladas, como as que têm visitado Marte e Saturno.
ÉPOCA - Qual a importância delas?
Greene - Certamente essas duas missões, especialmente a enviada a Marte, podem esclarecer mistérios sobre as condições necessárias ao desenvolvimento da vida e de que maneira o sistema solar se formou. Muito mais importantes, entretanto, são as coisas que podemos aprender e que nenhum de nós ainda conseguiu antecipar a respeito dessas duas missões. São problemas que ainda não foram sequer formulados.
ÉPOCA - O que o senhor acha de ser comparado ao cientista Carl Sagan, que nos anos 70 e 80 estrelava o seriado de TV Cosmos?
Greene - Fico lisonjeado, porque cresci assistindo aos programas dele e boa parte da minha inspiração em me tornar um cientista veio do Sagan. Recebi mais de 16 mil e-mails desde que meus programas estrearam na TV. A maior parte é enviada por garotos.
ÉPOCA - Em que projetos o senhor está envolvido?
Greene - Quero me aprofundar nos aspectos cosmológicos das supercordas. Além disso, estou trabalhando com o Lincoln Center num projeto de encenação teatral que deverá estrear em 2005. Combina a teoria das supercordas com um concerto de cordas.














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