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"Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse." Friedrich Nietzsche *

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Quarta-feira, Junho 30, 2004


uma vez um pardal cansado da vida.
Um dia, resolveu sair voando pelo
mundo em busca de aventura.

Voou, voou, até chegar numa região
extremamente fria; foi ficando
gelado até não poder mais
voar, e caiu na neve.

Uma vaca, vendo o pobre pardal
naquela situação, resolveu
ajudá-lo e cagou em cima dele.

Ao sentir-se aquecido e confortável,
o pardal começou a cantar.

Um gato ouviu o seu canto, foi até
lá, retirou-o da merda e o comeu.

MORAL DA HISTÓRIA:
1 - Nem sempre aquele que caga
em cima de você é seu inimigo;
2 - Nem sempre quem tira você
da merda é seu amigo;
3 - Desde que você se sinta quente
e confortável, mesmo que
esteja na merda, conserve
seu bico fechado;

4 - Quem está na merda não canta!

A PERERECA


Numa mata, uma perereca preparava-se
para comer uma mosca, quando um
macho, que observava a cena, disse:

- Perereca, não coma já a mosca!
Espere que a abelha a coma,
depois tu comes a abelha.
Ficarás melhor alimentada.

A perereca assim fez e, efetivamente,
passados alguns segundos, veio a
abelha que comeu a mosca.

A perereca preparou-se, então, para
comer a abelha, mas o macho a
interrompeu novamente:

- Perereca, não comas a abelha!
Ela vai ficar presa na teia da aranha
e a aranha vai comê-la, então tu
comes a aranha e ficarás
melhor alimentada.

A perereca de novo esperou.

A abelha levantou vôo, caiu na teia da
aranha, veio a aranha e comeu-a.

A perereca preparou-se para saltar
sobre a aranha, mas de novo
o macho falou:

- Perereca, não sejas precipitada!
Há de vir o pássaro que comerá a
aranha, que comeu a abelha,
que comeu a mosca.
Comerás o pássaro e ficarás
melhor alimentada.

A perereca, reconhecendo os bons
conselhos do macho, aguardou.

Logo depois, chegou o pássaro
que comeu a aranha.

Entretanto, começou a chover e a
perereca, ao atirar-se sobre o pássaro,
escorregou e caiu numa poça d'água.

Neste momento, uma cobra que
passava por lá, engoliu o pássaro
e sumiu mata a dentro.



MORAL DA HISTÓRIA:

Quanto mais tempo duram os preparativos,
mais molhada fica a perereca.
Porém, cuidado!
Se não comer, vem outro e come!

A FORMIGA
A aranha, ao passar pela estrada
de ferro, vê uma formiga saúva
sem a bunda, chorando
desesperadamente,
e lhe pergunta:
- Que aconteceu, dona formiga?

E a formiga, toda chorosa,
respondeu:
- Eu estava descansando sentada
no trilho, quando veio um trem
e cortou a minha bunda...
Então, a aranha deu-lhe uma
sugestão:
- Não desanime! Volte lá e procure
a sua bunda... Quem sabe ela
ainda está lá e você pode
fazer um enxerto?
A formiga gostou da idéia, voltou
até os trilhos e começou a
procurar pela bunda, quando
veio um outro trem e passou
por cima de sua cabeça.
MORAL DA HISTÓRIA:
Nunca perca a cabeça por
causa de uma bunda!!!


J

á com cinco anos de idade, o formato mp3 (ou mpeg1 layer 3) se tornou o padrão para música nos computadores de todo o mundo, então como não poderia deixar ser, o Superdownloads resolveu comentar o assunto e dar algumas dicas de como organizar e trabalhar com esses arquivos.

Então vamos começar com uma explicação técnica para se ter uma idéia com o que estamos mexendo, depois vamos para a parte prática :)

Desenvolvido e lançado em 1987 por Fraunhofer-Gesellschaft, utiliza um banco de filtros e algoritmos de compactação para reduzir os arquivos de músicas, que no seu formato original, 1 minuto de áudio ocuparia em torno de 12 MB, em mp3 cai para 1 MB, ou seja, uma taxa de compactação de 12:1, com pouca perda de qualidade. Ai você se pergunta, como isso é possível? Simples, o algoritmo de compactação do mp3 corta as freqüências altas, acima dos 20 kHz, que não são audíveis por nós (nossos ouvidos captam freqüências entre 20 hz e 20 kHz), nisso o arquivo já fica bem menor. Ai lá vem outra pergunta, oras, senão podemos ouvir porque colocam essas freqüências? Bem, isso é mais complicado, primeiro porque alguns especialistas afirmam que embora não podemos ouvir tais freqüências, podemos senti-las, agora, não fique se lamentando por todas as sensações que você perdeu ouvindo seus mp3, pois apenas aparelhos de som profissionais com resposta a uma grande faixa de freqüência podem reproduzi-las.

Conjuntamente a isso é usado o sistema Perceptual Noise Shaping, que utiliza o banco de filtros para pegar amostras do sinal, e através do algoritmo de compactação gera um novo sinal, menor em tamanho, mas com o mesmo som perceptível aos nossos ouvidos, porque quando duas freqüências muito próximas são executadas ao mesmo tempo, somente percebemos o mais forte, é ai que entra o outro corte, o mp3 diminui o número de bits do sinal mais fraco e mantém o forte, que é o que ouvimos, por isso não percebemos diferença, e o arquivo ficou bem menor, com pouquíssima perda de qualidade.

Bom, agora já sabemos como um arquivo de 12MB vira um de 1MB com o mesmo som, então vamos dar uma pincelada na língua do mp3, pra você não ficar perdido quando entrar num grupo de discussão de mp3.

Primeiro o mestre das dúvidas, o que é esse tal de bitrate? É a taxa de compactação, geralmente usa-se 128 kbps, ou seja, são processados 128 kb por segundo, o que gera um arquivo com um bom tamanho, aproximadamente 1 minuto=1 MB, e qualidade próxima de CD, pode-se usar outros bitrates (taxas), quanto mais baixo o bitrate, menor será o tamanho e a qualidade do áudio, caso queira uma qualidade melhor, recomendo que se use no máximo 160 kbps, pois acima disso o ganho de qualidade é imperceptível e o tamanho do arquivo ficará enorme.

No resto é melhor não mexer, como a taxa de amostragem, a que é usada nos CDs é 44.1 kHz, ou seja, 44100 amostras por segundos, que é o que forma a música digital. E 16 bits, que é a quantidade de bits necessários para obter a melhor qualidade possível.

Ai você terá a configuração ideal para seus mp3, 128 kbps, 44.1 kHz e 16 bits, pronto já pode começar a ripar seus cds..... O que? Não sabe o que é ripar? Bem, tudo bem, ninguém nasce sabendo mesmo, vamos para um vocabulário básico:


Ripar - É o processo de extrair o áudio do CD para o computador, pode-se ripar para WAV, que é formato padrão de música do windows e depois com a ajuda de um encoder (calma! A gente chega lá) converter para mp3, ou já ripar direto para mp3;
Encoder - Converte WAV para mp3;
Decoder - Faz o inverso (claro né!);
CODEC - COder, DECoder, são algoritmos que o windows usa para decifrar (tocar) os arquivos.
Pronto, agora você já pode conversar sobre mp3 com qualquer um, então vamos deixar essa parte chata e vamos logo pra prática.

Continua na próxima página.

C

opiar as mp3, com ajuda do kazaa e família, acho que todos nós sabemos, se não sabe, é bom dar uma pesquisada, porque não dá pra explicar isso aqui, senão vai vira a bíblia do mp3. Então partindo do princípio que você copiou uns mp3 por ai, e eles não vieram como você queria, vou sugerir alguns programas que dá pra encontrar aqui mesmo no Superdownloads, para você deixar elas tinindo.

Um dos problemas que se encontra com facilidade é aquelas músicas ao vivo que no final dela fica aquela galera gritando e de repente acaba a música, fica meio estranho, uma boa solução é aplicar um fade-out (aquele efeito que o som vai diminuindo devagar até chegar ao silêncio), um programinha pequeno e fácil de usar é o Mp3Trim, onde você escolhe a faixa de tempo do final (geralmente uns 10 segundos) que quer aplicar o efeito, o ritmo que o som vai diminuindo e pode dar uma escutada antes para ver se está certo, e pronto é só salvar.

Outro problema comum é um tempo muito grande de silêncio antes ou depois da música, para isso use o Mp3DirectCut, ele mostra o gráfico da música, dai fica fácil, é só escolher o intervalo, como se estivesse selecionando um texto e clicar no botão "cut", escute a música, se estiver bom, salve, pronto acabou o problema.

Quando você tiver uma certa quantidade de mp3's, irá perceber que alguns são mais altos ou mais baixos que outros, para resolver isso é só normalizar (deixar no mesmo volume) com o Mp3Gain, é só escolher a música ou pasta onde estão, mandar ele analisar (radio analysis), escolher o volume que você quer que fique, geralmente usa-se entre 93 e 95 dB que é a média dos cds originais, ai fica a seu gosto, e aplicar o volume escolhido (radio gain). Vale ressaltar que tem vários programas que fazem isso, mas alguns normalizam pelos picos de volume, outros, como esse, fazem pela média, o que no final gera um resultado melhor.

Pronto, você já pode fazer uma faxina nos seus mp3's e deixa-los do seu gosto. Agora que você pegou gosto pelo mp3, vê aquele monte de cds e quer ripar para mp3 (é, agora você sabe o que é ripar...ehhehe), um bom programa para isso é o CDex, é só colocar o cd no drive, clicar em CDDB para ele pegar os nomes das faixas e do cd (não esqueça de colocar seu email na configuração do CDDB, senão ele não funfa), e clicar no botão MP3, ele irá copiar seu cd inteiro para mp3 direto.

Bom, agora você já é o mestre Jedi nos mp3, se tiver um gravador de cd, já vai começar passar pela sua cabeça em tirar aquele monte de mp3 do disco e colocar em cd, até ai tudo bem, mas quando você tiver algumas dezenas de cds, cada um com umas 160 músicas, vai perceber que um pouco de organização iria ajudar muito, um programa para controlar seus cds de mp3 e diretórios no disco, é o ListMaker, com ele é só colocar o cd no leitor, especificar o nome da lista, geralmente o número ou nome que você coloco no cd, e clicar em criar lista, pronto, em 1 segundo ele lê o cd e cria a lista, a mesma simplicidade é para seus diretórios, é só mostrar o caminho que ele faz a lista de tudo que tem lá, simples, rápido e fácil. Ai você me pergunta, ta, então quando quiser achar uma música tenho que ler todas as listas? Grande ajuda!..... Não, ele possui sistema de busca, é só digitar alguma coisa, como o nome da música ou do cantor ou banda, e voilá, ele te mostra em que lista que ta, e como você gravou as listas pelos números ou nome do cd, prontinho, já sabe em que cd que ta.

Agora, além disso, você também pode criar as listas e imprimir como capas para o cd, ai é só dá uma olhada na capa e você já sabe o que tem lá dentro, recomendo o CDRLabel para fazer esse serviço.

Pronto, agora é só pegar um player (programa para tocar) para ouvir seus mp3, sem erros agora. O Windows Media Player toca os arquivos mp3, porém ele é um pouquinho pesado, mas existem vários players gratuitos na internet, recomendo o winamp, tem suporte a skins (peles), trabalha com playlists, edita tags, possui várias equalizações pré-definidas, e um monte de plugin-ins disponíveis no site do fabricante.

Espero ter ajudado você a trabalhar melhor com mp3 e ter respondido todas as dúvidas, agora deixa eu curti um som, que ninguém é de ferro né ;)


A preocupação ética cresceu muito nos últimos anos, no Brasil e no estrangeiro, mas sobretudo aqui. Penso que tem a ver com o crescimento da sociedade brasileira, ou melhor, com o crescimento do que chamamos ¿a sociedade¿. Infelizmente, em países marcados como o nosso pela desigualdade, ¿a sociedade¿ não se refere a toda a população. Sempre foram muitos os excluídos. Mas a novidade é que diminuiu o número deles.

Vejamos o trânsito. Funcionou bem, enquanto tinham carro apenas três ou cinco por cento dos brasileiros. O tráfego fluía. Era fácil guiar e estacionar. Mas, hoje, metade das viagens realizadas na cidade de São Paulo é por carro.

Não dá. E é claro que toda pessoa que já pensou no trânsito sabe que o transporte individual tem de ser a exceção, não a regra. Mas o que fazer, quando na maior parte de nossas cidades o ônibus é a vala comum na qual as classes abonadas não querem se meter e da qual os mais pobres querem escapar? Ter um carro, ainda que caindo aos pedaços, passa a ser um sinal mínimo e necessário de dignidade.

Porque dignidade e cidadania não são palavras abstratas, de teor apenas cívico: têm a ver com o conforto. É errado pensar que o civismo se mede só pelos símbolos nacionais ou pela dedicação ao bem comum. Ele está no respeito ao outro. É por isso que, quando o conforto é negado a quem se vale do ônibus, ter um carro se torna distintivo do cidadão. É um distintivo errado e destrutivo, a médio prazo, pela poluição e engarrafamentos que causa, mas é um distintivo.

O que tem isso a ver com a ética? Duas coisas. A primeira é que a educação e as boas maneiras têm forte sentido ético. Aliás, alguns até derivam a palavra ¿etiqueta¿, no sentido das regras de comportamento, do termo ¿ética¿, como se a etiqueta fosse a pequena ética, a ¿small morals¿, que lida não com os princípios, mas com as regras.

Essa etimologia é errada (etiqueta vem do rótulo que se colocava nos processos e, por extensão, significa rotular as pessoas pela sua classe social), mas rica: mostra que tratar bem o outro é sinal de respeito. E o respeito é um dever ético, é um valor que atribuímos aos nossos semelhantes, justamente para assinalar que são nossos iguais, que não nos consideramos melhores que eles.

Chego assim ao segundo ponto. O Brasil funcionou, enquanto a desigualdade era aceita socialmente. Não se via maior problema em uma pessoa furar a fila, se ela tivesse certas características que a faziam superior ¿ a beleza, o charme, a ¿boa aparência¿ (expressão cujo significado, como se vê nas novelas, era ¿não ser negro¿), a riqueza. Isso era detestável, mas a sociedade aceitava razoavelmente a desigualdade.

Nossa sociedade não deixou de ser desigual, nem acabou a exclusão, mas aumentou incrivelmente o desejo de inclusão. É o que leva os mais pobres, já sem esperança num transporte coletivo decente, a comprar carros. Esse é o nosso equivalente das ¿invasões bárbaras¿, de que fala o filme canadense. Como se negou e se nega aos mais pobres a cidadania, eles a tomam por si próprios ¿ e isso se dá de maneira altamente conflituosa. Nosso trânsito é uma guerra social.

Ampliou-se tanto o número dos que andam de carro ¿ incluindo os mais pobres, ainda excluídos de tantos direitos e vantagens ¿ quanto a classe média. Não é de minha profissão lidar com números, mas dá para perceber que a classe média brasileira vai muito além dos três ou cinco por cento que usavam carro há meio século.

Ora, isso quer dizer que aqueles que podiam furar a fila ¿ falei no banco, mas pode ser o restaurante chique, a loja de bom atendimento, qualquer lugar ¿ também aumentaram em proporção. Passar na frente dos outros, com a aceitação resignada ou mesmo prazerosa deles, é uma coisa quando são raros os que o fazem. Mas, quando muitos começam a querer isso, se torna intolerável.

Em nossa sociedade, adotamos então recursos indiretos para manter a desigualdade. Quem pode, manda um boy para o banco. Ou usa a Internet para o acesso. Ou se torna um cliente, não apenas especial, porque muitos já o são, porém vip, com guichê escondido para você. Ou dá um jeito de passar na frente discretamente, quase envergonhado: porque, antigamente, furar na fila era já um sinal de distinção.

Voltemos então à ética. Nas colunas anteriores, sustentei que a ética não é abstrata, um conjunto de princípios genéricos sem relação com a vida social, que devemos impor a todo custo. O fato é que, se o Brasil hoje fala tanto em ética, é porque chegamos à conclusão de que um mínimo de respeito ao outro é necessário para sermos, nós mesmos, respeitados.

Aumentou a classe média, e portanto até os abonados percebem que, se continuar a regra (ou a des-regra) de furar a fila, eles mesmos serão prejudicados. Ou seja, também quem está bem na vida sabe que precisa seguir a regra comum. Também a elite começa a ver que passou a depender de princípios éticos para sobreviver.

E por outro lado os pobres não acham mais ¿bonito não ter o que comer¿, para citar fora de contexto um verso de ¿Amélia¿, uma das mais belas canções de Mário Lago. Ver o outro passar na sua frente não é mais aceitável. Daí que falemos tanto em ética: a sociedade brasileira foi tomando consciência de que, na guerra de todos contra todos, valores como o do respeito, o da igualdade e o da liberdade são fundamentais. Ou eles, ou o caos.

É esse o chão que fez, nos últimos anos, crescer tanto o interesse pela ética, desde cursos que são ministrados até um clamor cada vez maior por ética na política. Esse é um dado altamente positivo de nossa vida social. É provável que, em alguns anos, ele mude o perfil do País para melhor.

A sociedade crê mais na ética do que a elite. Um dos erros do governo passado foi não dar o devido peso ao protesto ético das pessoas contra os políticos, e espero que o atual governo não repita isso. Mas não devemos tampouco acreditar no empenho social pela ética como se fosse apenas o resultado de uma inspiração moral. Ele tem uma razão bastante simples. Consiste no fato de termos percebido que, ou passamos a nos respeitar uns aos outros, ou o caos tomará conta de tudo. É uma questão, hoje, de vida ou morte para o Brasil.





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