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"Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse." Friedrich Nietzsche *

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Quarta-feira, Março 31, 2004




29.03.2004 | Otavio Frias Filho tem 46 anos, 20 dos quais dirigindo a ¿Folha de S. Paulo¿. É uma pessoa introspectiva, de fala baixa e muito bem articulada. Parece fazer parte do que o espanhol Baltazar Gracian chama de ¿clube dos discretos¿. Não faz questão de ser notado, e o que parece querer é paz e tempo para se dedicar a suas tarefas. Mas paz e tempo é o que mais falta na vida de um diretor de jornal diário, e daí emerge a primeira parte desta entrevista, em que se fala sobre os prazeres e desprazeres de seu ofício.

De certa forma, o jornal é um reflexo de seu diretor. Ele mesmo se define perfeccionista e materialista. Sua formação acadêmica é das melhores, tendo sido graduado em Direito no Largo São Francisco e orientando da professora Ruth Cardoso em seu mestrado em Ciências Sociais. Seu último livro, ¿Queda Livre¿, lançado no ano passado, recebeu da crítica elogios merecidos. Nele, o autor vive algumas situações de ¿risco psicológico¿, como saltar de pára-quedas ou visitar uma casa de troca de casais, e descreve suas experiências misturando reportagem e impressões pessoais.

Nesta entrevista, ele expõe seu pensamento acerca do estado atual das coisas ¿ nosso governo, a crise econômica da mídia, a ética (ou a falta de) no jornalismo.


Você se considera satisfeito com a vida?

Acho que na medida do possível, sim. A gente está sempre insatisfeito, mas sim, na medida do possível. Eu diria que estou 80 por cento satisfeito, 70 por cento. Nota sete: tá bom.

Você gosta do que faz?

Não sou apaixonado por jornalismo. Eu tenho uma ligação afetiva até forte a estas alturas com a profissão, eu estou há muitos anos nisso, cresci em parte neste ambiente desde adolescente... Então. eu tenho uma ligação forte, uma coisa afetiva, uma coisa de profissional evidentemente, mas eu não sou um apaixonado pelo jornalismo.

Os assuntos que são publicados no jornal ou que passam pela sua mesa, eles te interessam?

Não. Digo que uma parte pequena deles desperta um interesse pessoal. Economia é um handicap para mim, conheço pouco, para não dizer nada. Então, isso é um vôo cego para mim. Esporte realmente é uma área em que não tenho interesse, conheço pouco por falta até de interesse pessoal, de aptidão, de gosto. Opino pouco sobre esporte. Meu interesse é mais por política, sempre fui muito interessado em política, continuo sendo e também pela área de cultura.

Quais são as coisas que menos te apetecem no dia-a-dia em termos de jornal?

Aquele conjunto de coisas: falta de tempo, falta agônica de tempo. Eu gostaria de fazer as coisas mais devagar, gostaria de dedicar mais tempo a cada problema, a cada assunto, gostaria de ter mais tempo para ler, para viajar, para conhecer coisas. Mas isso tudo fica bem sacrificado porque é uma pressão em termos de tempo razoavelmente pesada. Muita reunião, e-mail, telefonema, muitos atritos internos que tenho de alguma maneira desemaranhar, desembaraçar.

Chefiar também deve cansar, não?

É. É um talento bem especial chefiar. Me cansa às vezes. É difícil.

Você consegue ser sincero o dia inteiro?

Não, porque minha função é muito política, né, então... Eu evito evidentemente mentir. Felizmente não me vejo em contingências ou em situações em que eu seja obrigado a mentir. Mas ser político, ser diplomático, isso eu faço o tempo todo. Procurar aparar arestas. De outro lado, em termos de escrita, eu tenho procurado, enfim, ser sincero. Escrevi um livro que pode ter outros defeitos, mas o da insinceridade acho que ele não tem. Então, neste sentido, tenho procurado acreditar mais na escrita e mais na minha capacidade de escrever.

Já pensou em largar?

A profissão? Já pensei e também não é um horizonte que eu descarte, não sei o que vai acontecer no dia de amanhã, mas já pensei bastante em ter um outro tipo de vida, fazer outro tipo de coisa, morar eventualmente em outra cidade. Vira e mexe aparece assim na minha cabeça.

É intrigante um diretor de jornal se dizer não apaixonado pelo jornalismo...

Eu tenho um ritmo pessoal que é muito diferente do ritmo do jornal. Eu tenho uma certa tendência a ser perfeccionista, gosto enfim de atividades mais introspectivas, de reflexão, de leitura, atividades que implicam um certo ritmo muito menos frenético, trepidante do que é o ritmo de vida de um jornal, um jornal diário. Então, eu não tenho muita afinidade intrínseca, sei lá, genuína com a profissão. Mas sou grato a ela, acho que na medida do possível me dei bem nela. E tenho certas aptidões também que ajudaram. Se a minha família estivesse metida digamos num negócio de engenharia, eu seguramente teria feito uma vida muito mais desligada da família do que eu fiz. Eu não teria trabalhado num negócio de engenharia, por exemplo. Mas sendo jornal, sempre fui bom de português, sempre tive muito interesse em política, tive uma certa militância política na época do movimento estudantil.

O que você gostaria de ser?

Talvez professor universitário. Eu teria feito uma carreira universitária se meu pai fosse um empresário de outro setor ou tivesse outra profissão. Mas houve esta coincidência de eu ter alguma inclinação para esta coisa de escrita, e enfim minha família tem este vínculo com o jornal.

Acabou sendo então uma imposição da vida mesmo?

Pouco. Pouco.

Como você lida com a questão de herança, como funciona isso na sua cabeça?

Eu sou uma pessoa relativamente desapegada de valores materiais: riqueza, poder, essas coisas. Não digo que eu tenho desdém por essas coisas, evidentemente que não. Acho que essas coisas têm uma importância, um valor, uma utilidade sem dúvida, mas eu não sou uma pessoa que, digamos, viva em função de perseguir estes objetivos e ao mesmo tempo, por uma circunstância fortuita, eu nasci numa família que tinha propriedade, que é o jornal.

Trabalhar com a família deve ter suas compensações e seus problemas.

Eu acho que, em tese, as empresas familiares são muito criticáveis se comparadas ao modelo das empresas profissionalizadas, exceto por uma razão: numa empresa jornalística, a característica familiar permite que a empresa mantenha uma certa identidade ao longo do tempo e - como eu estou convencido de que no jornalismo a identidade pública dos veículos demora muito tempo para ser construída, assim como demora muito tempo para ser destruída - eu acho que a presença de famílias nos veículos de informação tem esta vantagem comparativa. Não é à toa que o jornal mais carismático do mundo é até hoje uma empresa familiar (¿The New York Times¿, da família Sulzberger), um jornal que está situado na economia mais dinâmica, mais avançada do planeta. Em termos de modelo, eu acho que o de gestão profissional é superior ao modelo da gestão familiar, em quase todos os aspectos, até porque a gestão familiar é sempre uma loteria. O seu filho pode ser o Henrique V, mas seu filho pode ser o contrário do Henrique V e isso é lotérico.

Por falar nisso, você tem filhos? Ter filhos é uma questão para você?

Sem dúvida. Acho uma responsabilidade enorme, é uma coisa que acontece de uma maneira não muito racional na vida de uma pessoa. Não é uma coisa, digamos, que tenha acontecido na minha vida, pelo menos até agora. Ano passado, eu completei a idade que meu pai tinha quando eu nasci e isso me acionou uma espécie assim de alerta: ¿olha, está mais do que na hora de ter um filho, se for o caso de ter um filho¿. Ainda estou absorvendo esta idéia.

Você é casado?

Não, não sou casado. Já fui e não estou casado atualmente.

E você gosta de viver sozinho?

Acabei me acostumando. Acho que tem um pouco o peso do hábito. Espero não ter ficado uma pessoa muito cheia de caprichos e manias, mas eu vivo da maneira que eu gosto. Não me incomoda estar sozinho.

Com os salários do jeito que estão e esta crise generalizada da mídia, você acha que é uma boa, hoje, ser jornalista no Brasil?

Eu acho que é uma profissão que ganhou muito prestígio e talvez influência também. Acho que é uma profissão que, da época em que eu que era adolescente para hoje, se valorizou muito.

Mas compensa?

Tudo depende de comparações, né? Claro, há vidas mais amenas, talvez mais compensatórias. A grande maioria dos jornalistas, enfim, ganha pouco, muitos estão desempregados, mas acho que é uma profissão que cresceu em patamares médios, eu diria, de remuneração, acho que cresceu muito nos últimos 20 anos.

Mas hoje escassearam os grandes jornalistas nas redações... É uma realidade isso?

Talvez.

Um grande repórter vale o salário de outros cinco que estão começando...

Acho que tem um pouco isso. Quer dizer, as máquinas das redações acabaram ganhando uma preponderância sobre as personalidades. Acho que antigamente você tinha mais personalidades marcantes trabalhando nas redações do que você tem hoje na média, pelo menos. Mas acho que é também um movimento geracional, quer dizer, ralar dentro de uma redação durante horas e horas e horas geralmente é coisa para as pessoas fazerem durante um certo período de tempo. Poucas pessoas ficam no jornalismo muito tempo. Muitas levam uma vida de redação numa fase inicial e depois ou vão fazer outra coisa ou vão ter um tipo de vida que não implica aquele estresse de redação. Viram colunistas ou escritores, como o Elio Gaspari ou o próprio Cony.

Você acha que melhorou ou piorou a qualidade do jornalismo hoje no Brasil?

Eu acho que, na média, melhorou.

Mesmo as revistas semanais?

Eu acho que a pauta das revistas semanais sofreu uma mudança muito forte nos últimos anos e esta mudança foi no sentido de despolitizar, de atender a certas demandas mais imediatas de mercado. Então, o elenco de capas das revistas que no passado eram política, economia etc, começou a ser muito mais composto por capas ligadas à conveniência pessoal, comportamento, consumo, boa forma, dieta, sexualidade. Eu acho que, por um lado, até tem um efeito positivo porque oxigena um pouco a pauta institucional, mais tradicional, mas, por outro lado, torna mais frívolo, mais superficial, despolitiza. Acho que é uma mudança de mercado e as revistas cederam muito facilmente a esta mudança de mercado, elas cederam de uma forma, eu diria, mais acrítica, mais passiva.

E os jornais?

Os jornais vivem o mesmo problema. Mas com uma intensidade menor. Não sei dizer por quê. Talvez as revistas sejam mais obedientes às pesquisas de mercado... ou porque os jornais sejam uma outra mídia, estruturalmente mais refratária a este tipo de mudança.

Você lê o ¿Estadão¿?

Leio, mas superficialmente. Não sou um leitor, digamos, meticuloso, mas leio todo dia.

No que você acha que o ¿Estado¿ é melhor que a ¿Folha¿?

Digamos assim, quais qualidades eu admiro no ¿Estado¿. Eu admiro a qualidade que é talvez ao mesmo tempo um grande defeito do jornal, que é o peso da tradição. Acho isso admirável numa publicação, embora ache que isto também tira movimento, torna a publicação um pouco paquiderme. O peso da tradição do ¿Estado¿ e a continuidade, digamos, doutrinária ao longo de tanto tempo, séculos, num país tão instável e cambiante como o Brasil, isso eu acho que é uma coisa muito admirável.

Você acha que a ética predomina nos meios de comunicação?

Eu acho de novo que melhorou. Com relação à época do Chateaubriand, está muito melhor hoje do que naquele tempo. Mas eu acho que tem muita demagogia e muita hipocrisia por trás do discurso de ética jornalística. Acho que a melhor ou a pior qualidade ética de uma publicação tem menos a ver com o desejo e a subjetividade das pessoas que fazem esta publicação, que dirigem esta publicação e tem mais a ver com as condições objetivas de mercado. Quer dizer, quando não há mercado, a mídia precisa recorrer a expedientes que não são éticos para sobreviver mais facilmente.

Como assim? Que tipo de postura não-ética está acontecendo na imprensa?

Imagine um jornal imaginário, pense em um jornal imaginário no interior de um estado muito pobre do Brasil. Provavelmente, o dono deste jornal utiliza o jornal para fazer negócios, provavelmente o dono deste jornal condiciona o noticiário que ele publica a certas conveniências e interesses que ele cumpre como empresário, em termos do que ele espera do governo local, da prefeitura local, do governo do Estado, do escritório do ministério tal na cidade onde esse jornal imaginário é publicado. Ao mesmo tempo, muito provavelmente, neste jornal haverá jornalistas que não só tem dois empregos como eventualmente até cobrem uma repartição pública na qual eles trabalham. Então, qualquer um de nós diria que o comportamento deste dono de jornal não é ético e que o comportamento deste jornalista também não é ético. Eu tendo a colocar o juízo pessoal a respeito destes indivíduos imaginários em segundo plano, eu acho que nessa região imaginária não existem relações de mercado suficientemente diversificadas e densas; então, justamente por isso, esse dono de jornal precisa recorrer a estes expedientes, senão o jornal dele fecha. Eu estou me referindo a isso apenas para dizer que eu acho que, no plano que não são das relações pessoais, esta preocupação ética acaba sendo no fundo falsa, demagógica, sentimental. Eu não acredito nela, eu acredito que a ética tem a vigência no campo das relações pessoais. Fora do campo das relações pessoais, eu acho que são pressões e contrapressões que podem conduzir a um resultado mais ético ou menos ético. Enfim, eu sou materialista.
Agora, é evidente que não estou propagando a falta de ética. Eu só estou procurando dizer que, na minha visão, é menos importante se o dono do jornal ou o jornalista tem boas ou más intenções. Eu acredito em forças, em mecanismos impessoais que obriguem a certos resultados que são mais éticos e eu acho que estes mecanismos são a competição e a depuração pelo mercado, a fiscalização pela opinião pública, o alto esclarecimento do leitorado, etc, etc, etc.

Então, no eixo Rio/ São Paulo, esse tipo de coisa não acontece?

Eu acho que está havendo no momento uma regressão, sim, em alguns campos, premidos por uma crise financeira sem precedentes como esta que está vitimando a mídia brasileira neste período em que nós vivemos. Premidos por esta crise, alguns veículos estão cedendo a certas tentações que, no meu ver, implicam uma regressão em termos do desenvolvimento que a atividade jornalística já tinha alcançado no Brasil. De novo, para dar mais concretude ao que eu quero dizer, a famosa separação entre Igreja e Estado, que é a gíria para designar a separação entre redação e publicidade, entre departamento editorial e comercial, esta separação que se cristalizou felizmente nos principais centros urbanos do país na segunda metade dos anos 50 e o começo dos anos 60, esta separação está sendo enfraquecida. Isso é um exemplo de uma regressão forçada pela crise e que tem conseqüências negativas do ponto de vista, aspas, da ética.

Você tem algum exemplo?

Para ser sincero, eu tenho exemplos, mas eu acho que seria deselegante publicamente mencionar isso.

Qual é sua impressão do governo Lula?

É chover um pouco no molhado porque eu acho que um número crescente de pessoas está hoje com a percepção que eu vou tentar resumir: eu acho que é um governo bastante decepcionante.

Você acha que o Lula é preparado para ser nosso presidente?

Do ponto de vista de preparo intelectual e de preparo administrativo, evidentemente não. Mas ele tem um outro tipo de preparo, que é o preparo político, a experiência como chefe político, como líder de uma facção durante muitos anos. Eu acho que provavelmente ele terá se surpreendido, ao chegar ao governo, com a complexidade dos problemas a serem enfrentados e com o fato de que, uma vez instalado no governo, você precisa agradar determinados setores e desagradar outros, uma tarefa muito mais difícil, mais espinhosa do que ela se afigura para quem esteve na oposição durante tantos anos. Eu acho que ele reage muito mal às críticas, não está acostumado a ser questionado, sempre esteve muito acostumado a ser incensado, ser bajulado, sempre foi cercado por uma corte, que gerou uma idéia de que ele era uma espécie de salvador da pátria, porque ele era um proletário, porque ele era uma pessoa de origem popular, porque ele tinha uma vocação de pureza política. Tudo isso evidentemente tem um aspecto ilusório e a conclusão é que me parece ser uma pessoa que não está acostumada a conviver com o questionamento, com a controvérsia, com a crítica.

Parece que houve um desentendimento entre vocês em um almoço durante a campanha eleitoral.

A ¿Folha¿ tem esta tradição de convidar os principais candidatos para um encontro no jornal e, também segundo a tradição, este encontro é off the records, ele funciona mais como uma troca de idéias, nada do que é discutido nestes encontros é publicado. E então tivemos um encontro deste tipo com a presença do então candidato Lula e alguns assessores, e a presença também do proprietário do jornal, que é meu pai, e alguns editores. Durante este almoço, eu fiz um questionamento, bastante veemente, e que ele respondeu de uma maneira que não me pareceu adequada. Eu disse a ele, em resumo, que achava uma tolice a idéia de que uma pessoa sem educação formal, sem formação universitária não pudesse chegar à presidência da República, achava evidentemente uma idéia obsoleta. Então, que a minha pergunta não ia nesta direção, que eu não estava cobrando dele o fato de que ele não tinha um histórico de educação formal, mas que havia pessoas que pareciam fazer um questionamento muito mais adequado, pertinente que era o seguinte: de que modo, e esta era então a minha pergunta, ele vinha se preparando nos últimos 20 anos, quando teve tempo e condições de estudar, aprender, se debruçar sobre os assuntos. Então eu perguntava que tipo de preparo ele vinha procurando desenvolver nestes últimos 20 anos.

E o que ele respondeu?

Ele disse terminantemente que não ia responder a esta pergunta porque achava ela preconceituosa. Ele, deliberadamente então, confundiu a pergunta com o velho clichê de que alguém que não tem universidade não pode ser presidente, embora o preâmbulo da minha pergunta fosse exatamente o contrário. Eu achei a resposta atravessada e, depois, mais perto do final do encontro, fiz uma pergunta de novo em termos de bastante veemência, até ásperos, sobre a coligação que ele estava fazendo com o PL. Então, eu dizia que era normal que o PT passasse a uma política de alianças, mas que todo mundo esperava que estas alianças se situassem no campo que vai do centro para a esquerda. E, no entanto, ele estava coligado com um partido que não é só um partido de direita no espectro político brasileiro, mas que é um partido que sempre funcionou como correia de transmissão dos interesses de um político como o Paulo Maluf. Daí, ele tentou responder de uma maneira atravessada e eu repliquei. E, então, ele levantou e disse que desse jeito não dava para continuar e que ele ia embora. Levantou-se e foi embora seguido pelo seu séqüito. Em resumo, foi isso.

Em quem você votou?

Eu sempre anulo. Há muitos anos, eu decidi anular sempre meus votos porque me dá uma maior possibilidade de isenção psicológica. Como eu acho que é importante eu não entrar em clima de torcida, quando está todo mundo em clima de torcida se é Collor ou Lula, se é Fernando Henrique ou Lula, se é sei lá...

Mesmo com o Maluf no páreo, você não vota?

Claro que, pessoalmente, eu tenho horror ao malufismo. Mas, enfim, o jornal se propõe a fazer um jornalismo apartidário, há um compromisso público de o jornal dar visibilidade para as candidaturas de uma forma equânime. A ¿Folha¿ tem uma outra concepção de política, diferente da concepção de outros jornais. Quer dizer, para certos jornais, a participação política do jornal se dá porque o jornal apóia um partido, uma causa e segue naquela linha, daquele partido, daquela causa. Acho uma concepção respeitável, mas não é a concepção da ¿Folha¿. A concepção que vigorou, prevaleceu na ¿Folha¿ é a idéia de que o jornal faz uma espécie de metapolítica, incide sobre as condições de produção da política e não só a política propriamente dita. A função do jornal é tornar mais transparentes as relações da política, a lógica da política, a maneira pela qual a política é feita e não fazer o prato da balança pender a favor deste político, ou daquele político. São duas visões diferentes de interven



Segunda-feira, Março 22, 2004


A Crucificação de Cristo, a partir de um ponto de vista médico C. Trunan Davis


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Sábado, Março 20, 2004



A Crucificação de Cristo, a partir de um ponto de vista médico C. Trunan Davis

De repente, eu percebi que eu tinha tornado a crucificação de Jesus mais ou menos sem valor, durante estes anos, que havia crescido calos em meu coração sobre este horror, por tratar seus detalhes de forma tão familiar - e pela amizade distante que eu tinha com Ele. Isto finalmente aconteceu comigo quando, como médico, eu não sabia o que verdadeiramente ocasionou a morte imediata. Os escritores do evangelho não nos ajudam muito com este ponto, porque a crucificação era tão comum naquele tempo que, sem dúvida, acharam que qualquer detalhe seria desnecessário. Eu estudei a prática da crucificação, que é a tortura e execução de alguém fixando-o na cruz. A coluna vertical era geralmente fixada ao solo, onde seria a execução, e o réu era forçado a carregar o poste horizontal, pesando aproximadamente 55 quilos, da prisão até o lugar da execução.

Explicação

O sofrimento físico de Jesus começou no Getsêmani. Em Lucas diz: "E estando em agonia, Ele orou. E Seu suor tornou-se em gotas de sangue, escorrendo pelo chão." Todos os estudos têm sido usados por escolas modernas para explicarem esta fase, aparentemente debaixo da impressão que isto não pode acontecer. No entanto, pode-se conseguir muito consultando a literatura médica. Apesar de muito raro, o fenômeno de suor de sangue é bem documentado. Debaixo de um stress emocional, finos capilares nas glândulas sudoríparas podem se romper, misturando assim o sangue com o suor. Este processo causa fraqueza e choque. Atenção médica é necessária para prevenir hipotermia. Após a prisão no meio da noite, Jesus foi trazido ao Sumo sacerdote, onde sofreu o primeiro trauma físico. Jesus foi esbofeteado na face por um soldado, por manter-se em silêncio ao ser interrogado por Caifás. Os soldados do palácio tamparam seus olhos e caçoaram d'Ele, pedindo para que identificasse quem O estava batendo, e esbofeteavam a Sua face.

Explicação

De manhã cedo, Jesus, surrado e com hematomas, desidratado, e exausto por não dormir, foi levado a Jerusalém para ser chicoteado e então crucificado. Os preparativos para as chicotadas são feitos: o prisioneiro é despido de Suas roupas, e Suas mãos amarradas a um poste, a cima de Sua cabeça. É duvidoso se os Romanos seguiram as leis judaicas quanto as chibatadas. Os judeus tinham lei antiga que proibia mais de 40 (quarenta) chibatadas. Os fariseus, para terem certeza que esta lei não seria desobedecida, ordenava apenas 39 chibatadas para que não houvesse erro na contagem.

Chicote Duplo

O soldado romano dá um passo a frente com um chicote com várias pesadas tiras de couro com 2 (duas) pequenas bolas de chumbo amarradas nas pontas de cada tira. O pesado chicote é batido com toda força contra os ombros, costas e pernas de Jesus. Primeiramente as pesadas tiras de couro cortam apenas a pele. Então, conforme as chibatadas continuam, elas cortam os tecido debaixo da pele, rompendo os capilares e veias da pele, causando marcas de sangue, e finalmente, hemorragia arterial de vasos da musculatura. As pequenas bolas de chumbo primeiramente produzem grandes, profundos hematomas, que se rompem com as subsequentes chibatadas. Finalmente, a pele das costas está pendurada em tiras e toda a área está uma irreconhecível massa de tecido ensangüentado. Quando é determinado, pelo centurião responsável, que o prisioneiro está a beira da morte, então o espancamento é encerrado.

Chicote Duplo

Então, Jesus é desamarrado, e Lhe é permitido deitar-se no pavimento de pedra, molhado com Seu próprio sangue. Os soldados romanos vêm uma grande piada neste Judeu, que clamava ser o Rei. Eles atiram um manto sobre os Seus ombros e colocam um pau em Suas mãos, como um cetro. Eles ainda precisam de uma coroa para completar a cena. Um pequeno galho flexível, recoberto de longos espinhos é enrolado em forma de uma coroa e pressionado sobre Sua cabeça. Novamente, há uma intensa hemorragia (o escalpo é uma das regiões mais irrigadas do nosso corpo). Após caçoarem d'Ele, e baterem em Sua face, tiram o pau de Suas mãos e batem em Sua cabeça, fazendo com que os espinhos se aprofundem em Seu escalpo. Finalmente, cansado de seu sádico esporte, o manto é retirado de Suas costas. O manto, por sua vez, já havia se aderido ao sangue e grudado, nas feridas, justo como em uma descuidada remoção de uma bandagem cirúrgica, causa dor cruciante... quase como se estivesse apanhando outra vez - e as feridas, começam a sangrar outra vez.

Chicote Duplo

A pesada barra horizontal da cruz á amarrada sobre Seus ombros, e a procissão do Cristo condenado, dois ladrões e os detalhes da execução dos soldados romanos, encabeçada por um centurião, começa a vagarosa jornada até o Gólgota. Apesar do esforço de andar ereto, o peso da madeira somado ao choque produzido pela grande perda de sangue, é muito para Ele. Ele tropeça e cai. Lascas da madeira entram na pele dilacerada e nos músculos de Seus ombros. Ele tenta se levantar, mas os músculos humanos já não suportam mais. O centurião, ansioso para a crucificação, escolhe um norte-africano, Simão, para carregar a cruz. Jesus segue ainda sangrando, suando frio e com choques. A jornada é então completada. O prisioneiro é despido - exceto por um pedaço de pano que era permitido aos judeus.

Chicote Duplo

A crucificação começa: a Jesus é oferecido vinho com mirra, uma mistura para aliviar a dor. Jesus se recusa a beber. Simão é ordenado a colocar a barra no chão e Jesus é rapidamente jogado de costas, com Seus ombros contra a madeira. Os soldados procuram a depressão entre os osso de Seu pulso. Ele dirige um pesado, quadrado prego de ferro, através de Seu pulso para dentro da madeira. Rapidamente ele se move para outro lado e repete a mesma ação, tomando o cuidado de não pregar muito apertado, para possibilitar alguma flexão e movimento. A barra da cruz é então levantada, e sobre o topo, a inscrição onde se lê: "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus", é pregada.

Explicação

Neste ponto, outro fenômeno ocorre. Enquanto os braços se cansam, grande ondas de cãibras percorrem Seus músculos, causando intensa dor. Com estas cãibras, vem a inabilidade de empurrar - Se para cima, Pendurado por Seus braços, os músculos peitorais ficam paralisados, e o músculos intercostais incapazes de agir. O ar pode ser aspirado para os pulmões, mas não pode ser expirado. Jesus luta para se levantar a fim de tomar fôlego. Finalmente, dióxido de carbono é retido nos pulmões e no sangue, e as cãibras diminuem. Esporadicamente, Ele é capaz de se levantar e expirar e inspirar o oxigênio vital. Sem dúvida, foi durante este período que Jesus consegui falar as sentenças registradas: Jesus olhando para os soldados romanos, lançando sorte sobre Suas vestes, "Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem." Em Lucas 23:34 a forma do verbo no presente continuo indica que Ele continuou dizendo isto. Ao lado do ladrão, Jesus disse: "Hoje você estará comigo no Paraíso."

Explicação

Jesus disse, olhando para baixo ao atemorizado e quebrantado adolescente João, " eis a Sua mãe" e olhando para Maria, Sua mãe disse: "eis aí o seu filho". O próximo clamor veio do início do Salmo 22, "Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste? Horas desta dor limitante, ciclos de contorção, caibras nas juntas, asfixia parcial intermitente, intensa dor por causa da lascas enfiadas nos tecidos de Suas costas dilaceradas, conforme Ele se levanta contra o poste de crus. Então outra dor de agonia começa. Uma profunda dor no peito, enquanto seu pericárdio se enche de um líquido que comprime o coração. Agora está quase acabado - a perda de líquidos dos tecidos atinge um nível crítico - o coração comprimido se esforça para bombear o sangue grosso e pesado aos tecidos - os pulmões torturados tentam tomar pequenos golpes de ar. Os tecidos, marcados pela desidratação, mandam estímulos para o cérebro.

Explicação

Jesus suspira de sede. Uma esponja embebida em vinagre, vinho azedo, o qual era o resto da bebida dos soldados romanos, é levantada aos Seus lábios. Ele, aparentemente, não toma este líquido. O corpo de Jesus chega ao extremo, e Ele pode sentir o calafrio da morte passando sobre Seu corpo. Este acontecimento traz as Suas próximas palavras - provavelmente, um pouco mais que um suspiro de tortura.

Está Consumado

Sua missão de sacrifício está completa. Finalmente, Ele permite o Seu corpo morrer. Com uma última força, Ele mais uma vez pressiona o Seu peso sobre os pés contra o prego, estica as Suas pernas e toma profundo fôlego e grita Seu último clamor: "PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO" Por causa da Páscoa, a tradição dizia que o réus ainda vivos, deveriam ser retirados da cruz e quebradas as suas pernas. No caso de Jesus isto era desnecessário.

Conclusão

Aparentemente, para ter certeza da morte, um soldado traspassou sua lança entre o quinto espaço entre as costelas, enfiado para cima em direção ao pericárdio, até o coração. O verso 34 do capítulo 19 do evangelho de João diz: " E imediatamente verteu sangue e água." Isto era escape de fluido do saco que recobre o coração, e o sangue do interior do coração. Nós, portanto, concluímos que nosso Senhor morreu, não de asfixia, mas de um enfarte de coração, causado por choque e constrição do coração por fluidos no pericárdio.

A Sentença de Cristo
Cópia autêntica da Peça do Processo de Cristo, existente no Museu da Espanha

No ano dezenove de TIBERIO CÉSAR, Imperador Romano de todo o mundo, Monarca Invencível, na Olimpíada cento e vinte e um, e na Elíada vinte e quatro, da criação do mundo, segundo o número e cômputo dos Hebreus, quatro vezes mil cento e oitenta e sete, do progênio, do Romano Império, no ano setenta e três, e na libertação do cativeiro de Babilônia, no ano mil duzentos e sete, sendo governador da Judéia; QUINTO SÉRGIO, sob o regimento e governador da cidade de Jerusalém, Presidente Gratíssimo, PÔNCIO PILATOS; regente, na baixa Galiléia, HERODES ANTIPRAS; pontífice do sumo sacerdote, CAIFÁS; magnos do templo, ALIS ALMAEL, ROBAS ACASEL, FRANCHINO CEUTAURO; cônsules romanos da cidade de Jerusalém; QUINTO CORNÉLIO SUBLIME e SIXTO RUSTO, no mês de março e dia XXV do ano presente - EU, PÔNCIO PILATOS, aqui Presidente do Império Romano, dentro do Palácio e arqui-residência, julgo, condeno e sentencio à morte, Jesus, chamado pela plebe - CRISTO NAZARENO - e galileu de nação, homem, sedicioso, contra a Lei Mosaica - contrário ao grande Imperador TIBÉRO CÉSAR.

A Sentença de Cristo
Cópia autêntica da Peça do Processo de Cristo, existente no Museu da Espanha

Determino e ordeno por esta, que se lhe dê morte na cruz, sendo pregado com cravos como todos os réus, porque congregando e ajustando homens, ricos e pobres, não tem cessado de promover tumultos por toda a Judéia, dizendo-se filho de DEUS e REI DE ISRAEL, ameaçando com a ruína de Jerusalém e do sacro Templo, negando o tributo a César, tendo ainda o atrevimento de entrar com ramos e em triunfo, com grande parte da plebe, dentro da cidade de Jerusalém. Que seja ligado e açoitado, e que seja vestido de púrpura e coroado de alguns espinhos, com a própria cruz aos ombros para que sirva de exemplo a todos os malfeitores, e que, juntamente com ele, sejam conduzidos dois ladrões homicidas; saindo logo pela porta sagrada, hoje ANTONIANA, e que se conduza JESUS ao monte público da Justiça, chamado CALVÁRIO, onde, crucificado e morto ficará seu corpo na cruz, como espetáculo para todos os malfeitores, e que sobre a cruz se ponha, em diversas línguas, este título: JESUS NAZARENUS, REX JUDEORUM.

A Sentença de Cristo
Cópia autêntica da Peça do Processo de Cristo, existente no Museu da Espanha

Mando, também, que nenhuma pessoa de qualquer estado ou condição se atreva, temerariamente, a impedir a Justiça por mim mandada, administrada e executada com todo o rigor, segundo os Decretos e Leis Romanas, sob as penas de rebelião contra o Imperador Romano. Testemunhas da nossa sentença: Pelas doze tribos de Israel: RABAM DANIEL, RABAM JOAQUIM BANICAR, BANBASU, LARÉ PETUCULANI, Pelos fariseus: BULLIENIEL, SIMEÃO, RANOL, BABBINE, MANDOANI, BANCURFOSSI. Pelos hebreus: MATUMBERTO. Pelo Império Romano e pelo Presidente de Roma: LÚCIO SEXTILO e AMACIO CHILICIO.







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